O Diretório Nacional do PT divulgou na terça-feira (17) uma resolução em que faz críticas ao próprio partido e ao . O texto foi apresentado no primeiro encontro da legenda após o afastamento da presidenta. Apesar de afirmar que o processo de impeachment é um “golpe sem base legal”, a resolução diz que é preciso analisar com autocrítica os erros cometidos pelos governos petistas.
Segundo a avaliação do Diretório, “o avanço do movimento golpista, no entanto, somente poderá ser corretamente entendido se avaliarmos, de forma autocrítica, os erros cometidos por nosso partido e nossos governos”, diz a resolução. A sigla critica ainda o que classifica de esgotamento do atual econômico e as alianças partidárias do governo de Dilma.
A resolução afirma que a operação Lava Jato desempenhou “papel crucial na escalada golpista”. “Configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos”, consta no documento, que foi discutido em dois dias de reuniões da cúpula da legenda em Brasília. (Leia a resolução na íntegra).
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, quase metade dos deputados petistas avaliam sair do partido após as eleições municipais. O movimento inclui nomes como os de dois ex-presidentes da Casa como Arlindo Chinaglia (SP) e Marco Maia (RS), e da ex ministra Maria do Rosário (RS). A desfiliação começou a ser organizada no segundo semestre de 2015, tendo como ponto de partida a criação da tendência Muda PT, que somava 35 deputados à época. Originalmente, esses insatisfeitos se valeriam de uma janela aberta para que parlamentares deixassem seus partidos sem perda de mandato, mas essa brecha foi fechada em 31 de março.
A saída não foi explorada por causa do avanço do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Congresso. Com o risco de afastamento da presidente, os petistas tiveram que concentrar seus esforços na defesa do mandato de Dilma. Daí a decisão de retomar o debate após a corrida municipal. Até lá, será possível mensurar os danos sofridos pelo partido e suas perspectivas para as eleições de 2018.
“Nossa prioridade é defender o governo”, afirmou Maria do Rosário. Segundo articuladores do movimento, o ex-líder do governo Henrique Fontana (RS) também integra o grupo numa aliança com Tarso Genro. No Rio Grande do Sul, Tarso organiza a criação de um novo partido, que poderia servir de porta de saída para petistas desiludidos com a atual direção da sigla.
“Alertei nesta conversa que agora nossa tarefa é enfrentar o impeachment. E que só depois das eleições municipais esse assunto teria pertinência”, afirma Tarso, sem descartar a possibilidade. Fontana, no entanto, nega qualquer articulação: “Estou filiado ao PT há 27
anos e desautorizo qualquer especulação em meu nome”.
O ex-prefeito de Irecê, Zé das Virgens, deixou o PT e ingressou no PCdoB. De acordo com informações do site Irecê Repórter, ele anunciou neste sábado sua decisão. Zé das Virgens, que foi deputado estadual, diz que a mudança não tem relação com o cenário enfrentado nacionalmente pela legenda, diante dos escândalos de corrupção, mas por conta de uma questão interna da sigla no município. “Eu estava no PT, mas não estava tendo espaço, estava incomodado, sai mais por conta de divergências internas”, declarou o ex-prefeito, que permaneceu na agremiação por 36 anos. O PT também perdeu os vereadores Celso Cambuí e Daniel Araújo.
O advogado Ralph Lichote, do PT de Itaperuna (RJ), requereu nesta terça-feira (8) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) um habeas corpus preventivo na tentativa de evitar o depoimento ex-presidente Lula tenha que depor na segunda-feira (14) como testemunha de José Carlos Bumlai.
Lula foi conduzido de maneira coercitiva pela Polícia Federal na última sexta-feira (4) por determinação do juiz Sérgio Moro.
Ele deveria depor na PF de São Paulo por vídeoconferência. Não se sabe se o pedido de habeas corpus foi autorizado pela defesa de Lula ou se partiu de uma iniciativa independente de Lichote.
Os partidos se reinventaram na véspera da primeira eleição sem o financiamento privado de campanha. De acordo com o colunista Claudio Humberto, em 2015, faturaram R$ 811,28 milhões ao dividir o Fundo Partidário. PT e PSDB receberam a maior parte: R$ 108,77 milhões e R$ 89,09 milhões, respectivamente. O PMDB arrancou R$ 86,86 milhões do bolso do contribuinte.
Em 2016, os partidos vão meter a mão em R$ 819 milhões dos cofres públicos. A presidente Dilma Rousseff sancionou o Orçamento.
Com o impeachment à porta, a petista avaliou que precisava manter o repasse aos partidos. No início do ano passado, Dilma já havia autorizado o aumento da tunga, que na prática consagrou o financiamento público de campanha. Sem um único representante no Congresso, o PCO amealhou R$ 1,34 milhão do fundo partidário no ano passado.
O juiz federal Sérgio Moro decretou a quebra do sigilo telefônico do PT e de pelo menos seis números que seriam usados pelo ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, preso desde março, em Curitiba. Vaccari é acusado de ser operador de propinas no esquema de corrupção na Petrobras. A quebra do sigilo telefônico do partido ascendeu o alerta e tirou o sono de muitos envolvidos.
A abertura de dados alcança um período de quase cinco anos (2010 a 2014) e abrangendo três campanhas eleitorais. A força-tarefa da Lava Jato investiga o uso da legenda como forma de ocultar dinheiro desviado da petrolífera brasileira por meio de contribuições e doações de campanha.
Moro atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que acusa formalmente Vaccari em uma ação penal pelo uso de uma gráfica ligada ao partido para supostamente lavar dinheiro da Petrobras. O ex-tesoureiro é réu por corrupção e lavagem.
O PT informou que não vai comentar a decisão do juiz. O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende o ex-tesoureiro do PT, requereu a Sérgio Moro que exclua da quebra de sigilo os telefones do PT e do Sindicato dos Bancários.
Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, concede entrevista coletiva (Foto: Carolina Dantas/G1)
A Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, lançou nesta segunda-feira (28) documento elaborado em conjunto com outras organizações de esquerda que critica a política econômica adotada no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista coletiva, no entanto, membros da fundação não chegaram a fazer críticas diretamente a presidente.
O documento foi lançado no momento em que Dilma tenta ganhar apoio do Congresso para a aprovação de um pacote que prevê corte de gastos, aumento de impostos e a recriação da CPMF. Para isso, ela precisará de votos de seu partido, o PT, e outros da base aliada. A aprovação desse pacote é vista como essencial para o governo estabilizar a economia. O Palácio do Planalto informou que não vai comentar o documento.
Lideranças da Perseu Abramo que participaram da entrevista coletiva que lançou o documento também afirmaram que houve diagnóstico “equivocado” da situação econômica do país. Para eles, também é equívoco considerar o atual ajuste fiscal como única resposta adequada.
O presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, disse que o “documento não é contra o Brasil. É a favor do Brasil” e que se opõe ao “terrorismo do ‘curto-prazismo’”. Segundo ele, essas mudanças são paliativas, pensadas para agora. “Essa ditadura do curto-prazo nos faz pensar pequeno”, disse. “O procedimento que está sendo feito é primeiro fazer o ajuste fiscal para depois crescer. A proposta é inverter as prioridades”, declarou Pochmann.
Segundo os autores, o manifesto tem como objetivo “contribuir para retirar o país da desastrada austeridade econômica em curso e para consolidação de um projeto sustentável de crescimento com inclusão social”.
Na visão dos mais de cem especialistas que participaram da elaboração do texto, as atuais dificuldades econômicas surgiram a partir da implantação das medidas de cortes de gastos e de investimentos no primeiro semestre do ano. Para os autores, as ações de ajuste fiscal adotadas pelo governo federal amplificam a crise política e estimulam iniciativas “antidemocráticas e golpistas”.
O senador Lindbergh Farias (PT) participou do lançamento e disse que o sentimento dos movimentos presentes é “de que a lógica do ajuste não teve o afeito esperado”. Segundo ele, conforme Lula teria afirmado, “tomar remédio amargo, tudo bem, mas a pergunta é se vai sarar”. Para Lindbergh, “o que tem acontecido é que não funcionou o remédio”.
Sobre a possibilidade de ruptura desses movimentos com o PT, o senador disse que os autores do documento querem “defender o governo” e vão “lutar até o fim ao lado desse governo”. Porém, de acordo com ele, a ideia do manifesto é “aumentar a pressão” contra uma “política monetária esquizofrênica” e que “não é possível entender um ajuste fiscal como esse”.
E completou: “Esse manifesto dá um caminho, um rumo para os movimentos sociais e para gente, que quer defender esse governo, mas que tem certeza que esse só será vitorioso e se livrará dessa pressão se mudar. Mudando esse rumo. Se a gente for nessa aí, vamos chegar a um desemprego de 10% no começo do próximo ano e vamos chegar num processo muito ruim neste país”.