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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nordeste: O risco da caatinga virar um deserto




Caatinga_IBAMA

Bioma exclusivamente brasileiro, a caatinga tem até um Dia Nacional instituído em 2003: 28 de abril. Pena que a passagem da data, mais uma vez, não foi de celebração. A vegetação típica do Nordeste está literalmente sumindo do mapa. Um terço de sua área já se transformou em deserto e o ecossistema típico do semiárido perde terreno ao ritmo de três mil quilômetros quadrados por ano. Dos 950 mil km2 distribuídos entre os nove estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais, 300 mil km2  transformaram-se em poeira, com a perda definitiva de vegetação mamíferos, abelhas, anfíbios,  répteis e peixes.

Caatinga_com_mais_de_40ºC_no_semi_árido_—_Glauco_Umbelino

Apesar de sua riqueza e de ocupar 12% do território nacional, a caatinga não tem a mesma visibilidade do que a floresta amazônica, a mata atlântica e até mesmo o cerrado, que conseguem mobilizar até instituições internacionais para suas preservações. Pesquisadores nordestinos travam uma batalha diária para divulgar seus trabalhos e chamar a atenção para a preservação de um ecossistema que é uma riqueza de todos nós.


Vegetacao de caatinga em Olho D
Vegetacao de caatinga em Olho D’Agua do Casado, em Alagoas. A caatinga eh o unico bioma exclusivamente brasileiro / Caatinga is a type of vegetation, and an ecoregion characterized by this vegetation in the northeastern part of Brazil. Caatinga is the largest dry forest region in South America and certainly one of the richest dry forests in the world.
Foto Marcos Issa

Um deles é o professor José Alves Siqueira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, que reuniu 100 especialistas e publicou, no ano passado, o livro Flora das caatingas do Rio São Francisco: história natural e conservação (Andrea Jakobsson Estúdio).


Vegetacao de caatinga em Olho D
Vegetacao de caatinga em Olho D’Agua do Casado, em Alagoas. A caatinga eh o unico bioma exclusivamente brasileiro / Caatinga is a type of vegetation, and an ecoregion characterized by this vegetation in the northeastern part of Brazil. Caatinga is the largest dry forest region in South America and certainly one of the richest dry forests in the world.
Foto Marcos Issa

A obra vale o quanto pesa – três quilos – com 556 páginas de textos, fotos e mapas. De 1.031 espécies vegetais coletadas no entorno do Velho Chico, 136 (13,2%) eram restritas à caatinga. Outras 25 espécies cuja ocorrência não era conhecida no Nordeste foram encontradas. Um ecossistema rico, ameaçado por desmatamento e falta de preservação. Isto afeta diretamente o rio mais importante da região, com uma vazão cada vez menor.

caracteristicas-da-caatinga-brasileira-1

Um Plano Nacional de Combate à Desertificação foi publicado em 2005. Onze anos depois, poucas ações foram executadas dentro dos três pilares da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Em Pernambuco, o núcleo de Cabrobó – pela agricultura não sustentável – é considerado uma das quatro áreas de desertificação no semiárido nordestino. O Polo Gesseiro do Araripe é um caso crônico de desmatamento para transformação em lenha.

caatinga2

A caatinga (“mata branca”, em tupi) sofre, mas como toda sertaneja, é forte. Só que não pode mais esperar. Uma área degradada leva cerca de 40 anos para se recuperar. É preciso tratar a caatinga como um manancial de riqueza, explorando de forma sustentável espécies que podem ajudar as populações a sobreviver nas suas áreas de origem.


Caatinga



Por Juan Felix – Revista Barra Magazine

Fonte: Diário de Pernambuco



Nordeste: O risco da caatinga virar um deserto

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Bahia: Chuva não chega a Chapada Diamantina e incêndio continua




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Bombeiros e brigadistas continuam lutando contra vários incêndios no Parque Nacional da Chapada Diamantina, no interior da Bahia, uma área de 152 mil hectares que abrange os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.


Os focos de fogo se intensificaram nos últimos quinze dias e há grande dificuldade para combater os incêndios que acontecem simultaneamente em diferentes áreas do parque.


Infelizmente as condições meteorológicas não vão colaborar nos próximos dias. As áreas de instabilidade associadas a uma frente fria que passa pelo sul da Bahia provocaram chuvas nos últimos dois dias em pontos do sul e oeste da Bahia, mas não conseguem alcançar a região do Parque Nacional da Chapada Diamantina.


Para os próximos dias, a previsão é de que o tempo fique ainda mais seco e quente, com menor possibilidade de chuva.


Embora esta época ainda não seja de chuva sobre a maior parte do Nordeste, o fenômeno El Niño vem dificultando a ocorrência de chuvas sobre a Região.


Fonte: Notícias Terra


Publicado Por Tainá Almeida – Revista Barra Magazine




Bahia: Chuva não chega a Chapada Diamantina e incêndio continua

Sobradinho: Volume útil do reservatório está próximo de 0%





A Chesf alerta para o estado crítico do reservatório da Usina de Sobradinho, Bahia, com volume útil abaixo de 3%. Em recente coletiva, em Petrolina (PE), o superintendente de Operação da companhia, João Henrique Franklin, explicou o trabalho que vem sendo realizado, desde 2013, com sucessivas reduções de vazão do Rio São Francisco, para manter o uso múltiplo das águas. A região é castigada pela maior seca dos últimos 84 anos de registro na Bacia do Velho Chico.


Até o início de dezembro, o reservatório deve chegar a 0% de seu volume útil, o que inviabilizará a geração de energia elétrica pelas turbinas da Usina de Sobradinho. Entretanto, ainda há mais de seis bilhões de metros cúbicos de água no lago, que deverá manter o curso do rio por meio da abertura das comportas, mantendo a vazão em 900m³/s.


“A Agência Nacional de Águas e o Ibama já analisam a possibilidade de nova redução de vazão, para 800m³/s”, afirmou o superintendente. Todos os estudos de impacto e de compensações ambientais estão sendo realizados pela Chesf continuamente, com relatórios publicados no site (canal Gestão de Recursos Hídricos). Há, também a perspectiva de chuvas no período úmido que vai deste mês até maio de 2016.


João Henrique destacou que o Nordeste tem abastecimento de energia elétrica assegurado por meio de outras fontes, como geração térmica, eólica, outras hidrelétricas e, também, a possibilidade de importação de energia de outras regiões.A decisão de chamar para uma coletiva foi a forma encontrada pela Chesf de dar amplo conhecimento à sociedade do que vem sendo feito na operação e manutenção dos reservatórios do Rio São Francisco.


Por Juan Felix – Revista Barra Magazine


Fonte: Setor Energético




Sobradinho: Volume útil do reservatório está próximo de 0%

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Rio São Francisco: Maior reservatório do Nordeste, Sobradinho tem seca histórica 





Maior reservatório do Nordeste, a Barragem de Sobradinho passa por uma das piores secas da história, que afeta a geração de energia elétrica, o abastecimento dos municípios da região e preocupa agricultores que dependem da água da barragem para a irrigação da produção de frutas.


Na segunda-feira (16), o nível da barragem atingiu 2,5% do volume útil, o mais baixo da história. Esse número vem caindo dia a dia. No dia 10 deste mês, por exemplo, estava em 2,9%. O nível mais baixo havia sido registrado em novembro de 2001 (5,46%).“A barragem de Sobradinho é usada para tudo. A nossa principal preocupação sempre foi fazer com que a água do reservatório atenda às necessidades no maior tempo possível. Mas, hoje, estamos dependendo da chuva”, disse o


A previsão é que entre o fim de novembro e início de dezembro a barragem atinja o volume morto – reserva de água abaixo do ponto de captação. Isso significa a parada total de geração de energia na hidrelétrica. Inaugurada em 1979, a represa de Sobradinho tem capacidade de armazenar 34,1 bilhões de metros cúbicos de água e corresponde a 58% da água usada para a geração de energia no Nordeste.


Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), não há, no entanto, risco de racionamento no Nordeste, pois é possível usar fontes alternativas – como térmicas -, e transferir energia de outras regiões. O órgão diz ainda que os reservatórios da Bacia do São Francisco estão sendo operados prioritariamente para outros usos da água que não a geração de energia.


Para manter mais água na represa, a Agência Nacional de Águas (ANA) determinou a redução da vazão de Sobradinho para 900 metros cúbicos por segundo (m³/s). A ANA estuda reduzir a vazão para 800 m³/s. “Se tivéssemos mantido a vazão em 1.300 m³/s, o reservatório hoje já estaria seco. Agora, vai ser preciso reduzir ainda mais. Ninguém quer que reduza, mas toda a população da região deve poupar água”, diz Aílton de Lima.



Irrigação


A produção de frutas também pode ser prejudicada diante da possibilidade de racionamento no Distrito de Irrigação Nilo Coelho, o maior das áreas irrigadas. Entre Pernambuco e a Bahia, o projeto tem produção anual de R$ 1,1 bilhão. Mais de 2 mil empresas, entre pequenas e grandes produtoras, usam o sistema.


“A previsão é que até o fim do mês a gente chegue a uma cota em que não seja possível mais captar água. Algumas culturas, como a uva, não sobrevivem durante muito tempo sem a irrigação. Se isso acontecer, os prejuízos serão milionários. Além disso, mais de 130 mil pessoas usam esse sistema para consumo”, afirma o gerente executivo do Distrito de Irrigação, Paulo Sales.


Para permitir o aproveitamento da água, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério da Integração, iniciou em setembro obras de instalação de bombas flutuantes e a construção de um canal de captação. A conclusão da obra, que deve custar em torno de R$ 30 milhões, está prevista para dezembro.


“O grande problema é o tempo. Esse sistema de bombas flutuantes já deveria estar pronto. A gente espera ter nível de captação até lá. Mas se o volume para captação acabar antes, será desastroso”, afirma Sales. Todo o Vale do Rio São Francisco tem 100 mil hectares irrigados e produz 2 milhões de toneladas de frutas por ano.


Abastecimento


A seca também prejudica as comunidades do entorno da barragem de Sobradinho, que estão sendo abastecidas com caminhões-pipa. A falta de chuvas interfere ainda na criação de animais. Com o nível de Sobradinho tão baixo, as ruínas das cidades baianas de Casa Branca e Remanso, inundadas na época da construção do reservatório, estão visíveis.


Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Anivaldo Miranda, além das mudanças climáticas, houve falhas na gestão dos recursos hídricos na região. “Tivemos um amplo processo de crescimento de demanda pela água, ao mesmo tempo que aumentou o uso irracional, por ausência de implementação de instrumentos de gestão hídrica, de responsabilidade sobretudo dos governos dos estados que compõem a bacia”.


Segundo ele, desde 2013 se observava uma tendência de redução do nível dos reservatórios. Miranda diz que a crise da falta de água se estende por toda a Bacia do São Francisco. “Precisamos  avançar para um pacto das águas, onde haja convergência de interesses e de tarefas entre os estados da bacia, o governo federal, os usuários e a sociedade civil, para construir a sustentabilidade de uma área que é das mais vulneráveis e importantes do Brasil”.


Fonte: EBC – Agencia Brasil




Rio São Francisco: Maior reservatório do Nordeste, Sobradinho tem seca histórica