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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sobradinho: Chuva evita uso do volume morto na represa





Sob a pior seca na Bahia das últimas oito décadas, o reservatório de Sobradinho, no norte do estado, estabilizou o volume útil em 1%, contrariando a previsão pessimista de que chegaria ao “volume morto” em dezembro deste ano. “Não garante estabilidade, mas ficamos mais distante da reserva técnica”, considerou o diretor de operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), José Ailton de Lima, em entrevista ao G1.


Apesar do resultado inesperado, o nível de água é o pior da história. Antes de 2015, o menor nível registrado foi de 5,3%, percentual identificado em 2001.


Lima detalha que o “volume morto” não foi atingido, conforme previa a própria Chesf, por conta das chuvas que caíram na Bacia do Rio São Francisco nos últimos dias. “Vínhamos torcendo para que isso acontecesse. Essas chuvas caíram entre Três Marias (MG) e Sobradinho. Com isso, o volume morto, que se aproximava, deu uma estabelecida”, informou.


Ainda em alerta, Lima conta que a região que envolve o reservatório está no período de chuva, que deve durar até maio de 2016. “Parece que o clima úmido pegou agora. Normalmente, sempre temos água nova entrando nessa época. Estamos na expectativa de que assim continue”, revela.


O reservatório de Sobradinho tem 34 bilhões de metros cúbicos de água. Deste total, 28 bilhões integram o volume útil, que é usado na produção de energia, no abastecimento das famílias e na manutenção das atividades de irrigação e pecuária. Os demais seis bilhões fazem parte do chamado “volume morto”, que é uma reserva técnica programada para ser usada apenas em momentos de emergência.


Com o ínicio do período úmido, o reservatório de Sobradinho já está recebendo mais água do que distribuindo. Na última medição, feita no domingo (6), Lima descreve que a vazão afluente [que chega] era de 1.100 metros cúbicos por segundo (m³/s). Já a vazão defluente [de saída],  que é fixa, é de 900 m³/s.


Conforme Silvana Leite Nunes, secretária do Comitê de Bacia do Lago de Sobradinho, as chuvas têm sido identificadas em alguns municípios vizinhos, como Pilão Arcado, Barra e Remanso, que também são banhados pelas águas do Rio São Francisco. “Em Barra, já soube que o rio subiu dois metros”, afirmou. Em Sobradinho, Leite destaca que o tempo continua quente e seco. “Na minha comunidade [Canaã], por exemplo, choveu 15mm. Já na cidade, ainda não choveu”, detalha. Entretanto, as informações das cidades vizinhas têm aumentado as expectativas por dias melhores. “Tem aumentado [as chuvas na região]. Já é uma esperança”, conclui.


Fonte: G1




Sobradinho: Chuva evita uso do volume morto na represa

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Rio São Francisco: Maior reservatório do Nordeste, Sobradinho tem seca histórica 





Maior reservatório do Nordeste, a Barragem de Sobradinho passa por uma das piores secas da história, que afeta a geração de energia elétrica, o abastecimento dos municípios da região e preocupa agricultores que dependem da água da barragem para a irrigação da produção de frutas.


Na segunda-feira (16), o nível da barragem atingiu 2,5% do volume útil, o mais baixo da história. Esse número vem caindo dia a dia. No dia 10 deste mês, por exemplo, estava em 2,9%. O nível mais baixo havia sido registrado em novembro de 2001 (5,46%).“A barragem de Sobradinho é usada para tudo. A nossa principal preocupação sempre foi fazer com que a água do reservatório atenda às necessidades no maior tempo possível. Mas, hoje, estamos dependendo da chuva”, disse o


A previsão é que entre o fim de novembro e início de dezembro a barragem atinja o volume morto – reserva de água abaixo do ponto de captação. Isso significa a parada total de geração de energia na hidrelétrica. Inaugurada em 1979, a represa de Sobradinho tem capacidade de armazenar 34,1 bilhões de metros cúbicos de água e corresponde a 58% da água usada para a geração de energia no Nordeste.


Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), não há, no entanto, risco de racionamento no Nordeste, pois é possível usar fontes alternativas – como térmicas -, e transferir energia de outras regiões. O órgão diz ainda que os reservatórios da Bacia do São Francisco estão sendo operados prioritariamente para outros usos da água que não a geração de energia.


Para manter mais água na represa, a Agência Nacional de Águas (ANA) determinou a redução da vazão de Sobradinho para 900 metros cúbicos por segundo (m³/s). A ANA estuda reduzir a vazão para 800 m³/s. “Se tivéssemos mantido a vazão em 1.300 m³/s, o reservatório hoje já estaria seco. Agora, vai ser preciso reduzir ainda mais. Ninguém quer que reduza, mas toda a população da região deve poupar água”, diz Aílton de Lima.



Irrigação


A produção de frutas também pode ser prejudicada diante da possibilidade de racionamento no Distrito de Irrigação Nilo Coelho, o maior das áreas irrigadas. Entre Pernambuco e a Bahia, o projeto tem produção anual de R$ 1,1 bilhão. Mais de 2 mil empresas, entre pequenas e grandes produtoras, usam o sistema.


“A previsão é que até o fim do mês a gente chegue a uma cota em que não seja possível mais captar água. Algumas culturas, como a uva, não sobrevivem durante muito tempo sem a irrigação. Se isso acontecer, os prejuízos serão milionários. Além disso, mais de 130 mil pessoas usam esse sistema para consumo”, afirma o gerente executivo do Distrito de Irrigação, Paulo Sales.


Para permitir o aproveitamento da água, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério da Integração, iniciou em setembro obras de instalação de bombas flutuantes e a construção de um canal de captação. A conclusão da obra, que deve custar em torno de R$ 30 milhões, está prevista para dezembro.


“O grande problema é o tempo. Esse sistema de bombas flutuantes já deveria estar pronto. A gente espera ter nível de captação até lá. Mas se o volume para captação acabar antes, será desastroso”, afirma Sales. Todo o Vale do Rio São Francisco tem 100 mil hectares irrigados e produz 2 milhões de toneladas de frutas por ano.


Abastecimento


A seca também prejudica as comunidades do entorno da barragem de Sobradinho, que estão sendo abastecidas com caminhões-pipa. A falta de chuvas interfere ainda na criação de animais. Com o nível de Sobradinho tão baixo, as ruínas das cidades baianas de Casa Branca e Remanso, inundadas na época da construção do reservatório, estão visíveis.


Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Anivaldo Miranda, além das mudanças climáticas, houve falhas na gestão dos recursos hídricos na região. “Tivemos um amplo processo de crescimento de demanda pela água, ao mesmo tempo que aumentou o uso irracional, por ausência de implementação de instrumentos de gestão hídrica, de responsabilidade sobretudo dos governos dos estados que compõem a bacia”.


Segundo ele, desde 2013 se observava uma tendência de redução do nível dos reservatórios. Miranda diz que a crise da falta de água se estende por toda a Bacia do São Francisco. “Precisamos  avançar para um pacto das águas, onde haja convergência de interesses e de tarefas entre os estados da bacia, o governo federal, os usuários e a sociedade civil, para construir a sustentabilidade de uma área que é das mais vulneráveis e importantes do Brasil”.


Fonte: EBC – Agencia Brasil




Rio São Francisco: Maior reservatório do Nordeste, Sobradinho tem seca histórica